Depois de Belo Horizonte, nosso destino foi Ouro Preto, localizada há 100km da capital mineira. Passamos 5 dias na cidade (no período de réveillon) e resolvi separar um roteiro completinho com tudo o que fizemos e onde comemos por lá! 😊
Antes de te contar sobre o roteiro, bora contextualizar!
Ouro Preto é uma cidade histórica que foi fundada no final do século XVII. O destaque vai pra sua arquitetura colonial preservada e por ser um importante centro de mineração de ouro durante o período colonial. O nome “Ouro Preto” refere-se à cor escura do ouro extraído nas minas da região.
A cidade foi a primeira capital de Minas Gerais e é conhecida por suas ladeiras íngremes, igrejas barrocas, como a Igreja de São Francisco de Assis, e pelo legado cultural de grandes figuras da história brasileira, como Tiradentes, Aleijadinho e Chico Rei. Hoje, Ouro Preto é Patrimônio Mundial da Humanidade, reconhecido pela UNESCO desde 1980.



Dia 1
Chegamos na cidade na noite de sábado (28/12/24) e resolvemos descansar para acordar dispostos e descansados no dia seguinte. Nosso primeiro dia oficial conhecendo Ouro Preto foi num domingo chuvoso, então acabamos saindo pra turistar quando a chuva deu uma trégua.
A primeira parada foi no restaurante Seu José, do ladinho da Casa dos Contos, há poucos minutos do centro da cidade. O restaurante é famoso por oferecer pratos típicos da culinária mineira, como feijão tropeiro, frango com quiabo e carne de sol. E já que lá encontramos algumas iguarias, começamos pedindo de entrada a opção “Chico Rei”, um tempurá de jiló acompanhado de teriyaki de rapadura (R$36) e o “Casadinho”, queijo Brie empanado acompanho de calda de goiabada picante (R$54).
De principal, pedimos pra dividir a opção “De Minas” pra uma pessoa, o tradicional Feijão Tropeiro feito com feijão vermelho, calabresa, bacon, ovos e farinha de mandioca, acompanhado de torresmo de barriga assado e couve fininha (R$69). É um prato muito bem servido, que deu tranquilamente pra dividir pra duas pessoas, mas, se você preferir, há também a opção maior desse mesmo prato. E pra acompanhar, pedimos a cerveja Ouropretana Mascavo, produzida localmente; essa é uma cerveja mais docinha que combina super bem com os pratos típicos da região.



Depois do almoço, fomos conhecer a Praça Tiradentes e o Museu da Inconfidência.
A Praça Tiradentes, localizada no centro de Ouro Preto, é um dos principais pontos turísticos da cidade. Ela é rodeada por construções históricas e é um local de grande importância simbólica, já que foi palco de importantes acontecimentos durante o período colonial, especialmente ligados à Inconfidência Mineira. A praça é nomeada em homenagem a Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, símbolo importante da Inconfidência Mineira.
O Museu da Inconfidência, localizado em frente a Praça Tiradentes, é um dos principais museus da cidade. Instalado no antigo Edifício da Câmara e Cadeia, o museu conta a história da Inconfidência Mineira, movimento que lutava pela independência do Brasil no século XVIII. A entrada é gratuita e lá você conhece marcos importante desse centro cultural e tem uma experiência imersiva na história do Brasil colonial.



A última parada do dia foi na Feira de Pedra Sabão, localizada em frente a Igreja de São Francisco de Assis. A pedra sabão é um material abundante na região e é utilizado na criação de diversos objetos artesanais, como esculturas, utensílios domésticos, peças decorativas e acessórios. É um local perfeito pra você conhecer os artesãs locais e seus trabalhos, além de claro, levar uma lembrancinha de Ouro Preto pra casa.


Dia 2
A gente começou o segundo dia da cidade fazendo um passeio pra lá de especial: fomos conhecer a Mina do Chico Rei. Essa é uma das minas de ouro mais famosas e antigas da região. Ela está ligada diretamente à história da escravidão no Brasil e à luta pela liberdade de negros escravizados na época colonial.
O passeio dura em torno de 1h e custa R$70 por pessoa. Nós pegamos a dica do canal Pobres mas Viajados e usamos o cupom de desconto deles para pagar meia entrada.
E quem foi Chico Rei? Chico Rei era Rei do Congo no Continente Africano e foi trazido para o Brasil como escravizado para trabalhar nas minas de ouro de Ouro Preto. Há muita história por trás, mas Chico Rei conseguiu, ao longo do tempo, acumular uma boa quantidade de ouro com o trabalho nas minas e, ao conseguir sua alforria, comprou a liberdade de outros escravizados. Uma das formas de ele fazer isso, foi esconder parte do ouro que recolhia das minas dentro do seu próprio corpo e levá-los para debaixo da igreja que estava construindo na época, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Mais detalhes dessa história eu vou te deixar descobrir durante o passeio!
A mina representa um importante patrimônio histórico e cultural de Ouro Preto, uma experiência única de imersão na história da cidade e no legado da luta pela liberdade. É um passeio 100% guiado e seguro. Vale super a pena acrescentar no seu roteiro!



Depois da mina, fomos almoçar no restaurante Contos de Réis, localizado dentro de um casarão do século XVIII e com uma vista incrível da cidade. Nossos pedidos foram um Feijão Tropeiro (R$69) e um Tutu à mineira (R$68). Ambos vinham acompanhados de arroz, torresmo, linguiça, ovo, couve e lombo. São pratos tradicionais e típicos muito bem feitos. Não achamos tão bem servidos quanto o restaurante Seu José, mas a comida é tão gostosa que vale a pena conhecer – pra te deixar mais satisfeito, talvez seja legal pedir uma entradinha antes. De sobremesa, escolhemos a opção “Mineirinha”, uma cocada cremosa com calda quente de goiabada artesanal (R$39).



Saímos de lá e fomos direto conhecer a Casa Aleijadinho, um dos pontos altos dessa viagem, não somente pela casa em si, mas pelo o que acontece depois do tour pela casa. Calma que eu já te explico!
A Casa de Aleijadinho é um importante ponto turístico e cultural, mesmo não sendo o local exato de nascimento do artista, mas sim uma casa histórica que remete à sua figura e à sua obra – foi lá que morou o pai dele, o português Manuel Francisco Lisboa. Aleijadinho, ou Antônio Francisco Lisboa, foi um dos mais importantes artistas barrocos do Brasil, conhecido principalmente pelas suas esculturas e pela arquitetura religiosa de Minas Gerais, incluindo as obras nas igrejas de Ouro Preto.
Hoje, a casa é uma propriedade privada em que os atuais donos abrem para visitação gratuita, onde funciona como um centro de memória, contando principalmente como eram as casas no século XVIII e a história por trás delas. A verdadeira casa onde morou Aleijadinho fica na mesma rua, algumas residências acima, porém é um local privado que não está aberto para visitação.


Agora sim, vamos a melhor parte dessa visita! Após o tour, no térreo da casa, conhecemos a história da Cachaça Safra Barroca, conhecida por muitos, no passado, como ouro líquido. Não quero te dar muito spoilers dessa experiência, mas basicamente uma família local descobriu uma bebida que era consumida pelos português há mais de 300 anos e conhecida como ouro líquido.
Depois de muitos estudos e idas para Portugal, eles conseguiram recriar essa mesma bebida que resgata uma parte da história de Ouro Preto e é uma forma de integrar a gastronomia e bebidas da região com a tradição artística e histórica da cidade. Já te adianto que rola degustação e uma explicação bem detalhada sobre toda essa história por trás da bebida. E claro, garantimos a nossa pra levar pra casa! Vale super a pena conhecer, ouvir, perguntar e aprender com os pesquisadores e historiadores que conduzem essa experiência dentro da Casa Aleijadinho.


Dia 3
No dia seguinte, foi dia de fazermos um tour pelas principais igrejas da cidade. A primeira parada foi na Igreja de Santa Efigênia, construída no século XVIII, no auge da mineração e prosperidade das igrejas barrocas de Minas Gerais.
Ela foi construída pela irmandade dos negros da cidade, composta por negros, tanto livres quanto escravizados, com o objetivo de promover a religiosidade entre a comunidade negra de Ouro Preto.
A igreja é dedicada a Santa Efigênia, uma santa de origem africana, padroeira dos negros e dos escravizados, o que faz dela um ponto de grande importância simbólica para a comunidade negra da época. Já que não podiam cultuar suas religiões de matrizes africanas, era uma forma de esconder por trás da igreja católica os deuses e entidades em que acreditavam.


Depois dela, fomos conhecer a Casa Gonzaga, famosa por sua arquitetura colonial e por seu vínculo com a história local, especialmente ligada ao período da Inconfidência Mineira.
O nome “Casa Gonzaga” é associado ao visconde de Barbacena, também conhecido como Gonzaga, figura importante da época. O local serviu como moradia de pessoas influentes da sociedade mineira, além de estar envolvida com o movimento da Inconfidência Mineira. A visita é gratuita!

A terceira parada foi no Teatro Municipal – Casa da Ópera, que cobra um valor simbólico de R$5 ou meia entrada para visitação. Ele é um dos principais e mais antigos teatros do Brasil. Localizado no centro histórico da cidade, o teatro foi inaugurado em 1770 e é um importante marco cultural, construído principalmente para atender aos habitantes locais e aos visitantes da cidade durante o auge da mineração.


A quarta parada foi para visitar a Igreja de Nossa Senhora do Pilar, considerada uma das obras-primas da arquitetura barroca brasileira, foi construída entre 1711 e 1733, é uma das mais antigas da cidade. A igreja é linda, repleta de detalhes em ouro, com uma decoração interna muuuito rica e exuberante, característica bem típica do estilo barroco.
Ela também foi construída pela irmandade dos homens negros e dedicada a Nossa Senhora do Pilar, uma das padroeiras de Ouro Preto. Ela representa a religiosidade e a importância social da comunidade negra na época.

Depois de visitar a última igreja do dia, fomos petiscar numa cafeteria com uma vista incrível da cidade, o Café da Escadinha. Responsáveis pelo melhor pão de queijo que comi em Ouro Preto, por apenas R$3!!! Nós pedimos um chá mate, café coado na hora com doce de leite, pães de queijo e uma porção de bolinho de tilápia com queijo cremoso. Tudo muito gostoso! Gostamos tanto que depois voltamos lá no último dia pra pedir uma porção de waffle com doce de leite e cream cheese, limonada e um chopp. Recomendo demais, é uma das paradas obrigatórias por lá! ❤️



Além de todos esses pontos turísticos, Ouro Preto tem uma beleza única em cada ruazinha e mirantes que você encontra pelo caminho. Vale super a pena caminhar com calma pela cidade, explorar cada cantinho e admirar a beleza e história dessa cidade tão importante pra história do Brasil.
E ah, vale lembrar que Uber e 99 não funcionam por lá, mas há outros aplicativos semelhantes, como o V2 e o PAMPAM. Ambos funcionam muito bem!
Dia 4
Por ser o penúltimo dia da viagem e também o dia 01/01/25, muitas coisas estavam fechadas e precisávamos descansar para recarregar as energias e aproveitar o último dia com calma. Então, nesse dia, saímos apenas para jantar fora.
Fomos conhecer o restaurante O Passo, que fica do ladinho do Seu José. Ele tem vários ambientes, com espaços internos e externos. O tempo todo tem jazz rolando, que deixa o clima ainda mais agradável. Além de pratos tradicionais, o foco deles são as pizzas, então decidimos experimentar dois sabores delas!
De entradinha, pedimos o “Couvert Passo” (R$32), uma seleção de pastas artesanais acompanhadas de caponata de berinjela e tomates assados. Já as pizzas pedimos metade “Brie e Parma”, feita com molho artesanal de tomate e geleia de jabuticaba, e a outra metade pedimos a opção “Itália”, que vem com mozzarella especial, panceta, creme de ricota e ervas, finalizada com farofa de pistache e manjericão (foi a minha preferida!!!). Pra fechar, de sobremesa pedimos o petit gateau de limão siciliano com sorvete de castanha do Pará (R$33). Achei delicioso, muito cremoso e refrescante!



Dia 5
No nosso último dia em Ouro Preto, começamos o dia conhecendo a Igreja de São José, onde está localizada o túmulo do Aleijadinho e onde abriga o Museu do Aleijadinho, com obras importantes do artista, como peças de arte sacra, esculturas e imagens. É um museu pequeno, que fica localizado nos fundos da igreja e também no subsolo, mas vale a visita pra conhecer esse ponto turístico importantíssimo na cidade.





A próxima parada do dia foi na Igreja de São Francisco de Assis, projetada por Aleijadinho, juntamente com seu pai. No forro do teto da igreja, temos obras de Francisco Vieira, um dos pintores que fez parte do movimento barroco aqui no Brasil. É impossível não notar e não se surpreender com a beleza do teto dessa igreja. Todos os detalhes, cores e profundidade chamam atenção mundialmente, considerado um dos mais bonitos aqui no país. Fiquei impressionada!
A Igreja de Francisco de Assis é tombada pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e considerada um Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO.



Essa foi a nossa última igreja visitada, por fim, depois de lá partimos para conhecer o Parque dos Hortos, um lugar de preservação cultural e conservação ambiental. O Parque é enorme, tem muito verde, áreas pra piquenique, cachoeira, fontes, perfeito pra fazer uma caminhada e se conectar com a natureza. Conseguimos fazer toda a trilha dele com calma e parar pra admirar cada cantinho.



Ouro Preto é uma cidade rica em história, arte, cultura. É importante estar atento aos detalhes e história por trás da construção da cidade, que foi construída em cima de muita luta, exploração e sobrevivência durante o período colonial. Exceto a Mina de Chico Rei, todos os outros passeios foram feitos sem guia local, mas recomendamos contratar um guia para visitar as igrejas das cidades e saber um pouco mais da história e simbolismo por trás de cada uma delas.
Além de todos esses lugares, a gente parou MUITAS vezes em armazéns locais pra experimentar queijos, doces e cachaças. Vale super a pena trazer alguns pra casa e claro, bater um papo e conhecer os comerciantes locais (recomendo muito a cafeteria Chocolates Ouro Preto, os doces são deliciosos – destaque para o chocolate com café – e o atendimento é incrível).
Achamos uma cidade muito receptiva, com pessoas educadas e muito abertas pra jogar conversa fora.
Conhecer Ouro Preto foi uma daquelas viagens que vou lembrar com carinho, com emoção. Vou lembrar da sensação ao visitar cada lugar, ao saber de cada história e também de apreciar todas as ruazinhas e ladeiras. Obrigada por nos receber, Ouro Preto! ❤️
Espero que esse roteiro te ajude a escolher os locais que quer visitar por lá e, além disso, te deixe com ainda mais vontade e curiosidade de conhecer a cidade.

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