Café é vida: a história da marca Basílio Garcia contada por quem vive o grão desde a raiz

No meio do burburinho aromático do SP Coffee Festival, Mauro Aruda, mestre de torra e guardião das memórias da família Garcia, compartilha mais do que técnicas e notas sensoriais. Ele entrega um pedaço da alma da Serra da Canastra, onde nasceu o Café Basílio Garcia, marca que leva o nome do patriarca da família e que vem conquistando espaço no mercado de cafés especiais com uma história que começa bem antes da primeira torra.

A origem da fazenda remonta a 1984, quando Basílio Garcia Montes e seu cunhado Christino Albuquerque deixaram Tabapuã, no interior de São Paulo, e foram plantar café nas montanhas mineiras. Na época, os dois já carregavam bagagem: Basílio com experiência no plantio no Paraná e Christino como negociante.

A terra escolhida, entre Capitólio e Vargem Bonita, foi cuidadosamente avaliada por Basílio. Amante do café desde sempre – um traço herdado de seu sogro, o espanhol José Maria Albuquerque – ele encontrou no Bairro Lageado, a cerca de 1100 metros de altitude, o terroir ideal para fazer brotar um café de excelência. E foi o que fez. Hoje, a Fazenda Nossa Senhora de Fátima abriga cerca de 300 mil pés de café das variedades Catuaí vermelho, Catuaí amarelo e Mundo Novo, com parte da produção dedicada exclusivamente à linha especial da marca.

Para Mauro, o café ultrapassa a lógica de produto. “O café conecta as pessoas desde a lavoura. Gente que vem de fora trabalhar com a gente, gente que conhecemos em feiras como essa. Tudo é feito para o coffee lover”, diz, enquanto destaca a emoção de representar não só a marca familiar, mas também a região da Canastra, que agora possui a Denominação de Origem para seus cafés — um selo de qualidade e procedência que valoriza o terroir local.

A tradição da família hoje chega à terceira geração e se mantém firme. Foi Mauro quem idealizou e lançou a marca Café Basílio Garcia, homenageando o sogro e resgatando a paixão que atravessou décadas. A missão é clara: “Colocar na mesa das famílias brasileiras um café de qualidade, diferenciado, com aquele aroma da fazenda”.

O diferencial não está apenas no nome ou na paisagem exuberante que cerca a fazenda. A produção dos cafés especiais é feita com cuidado redobrado: colheita manual em talhões específicos, secagem natural e torra média, pensada para ressaltar as notas de melado, mel de Jataí, chocolate e frutas, que tornam o café Basílio Garcia encorpado, equilibrado e surpreendentemente doce ao final.

Além do paladar, o propósito. Mauro resume bem: “Café é vida – não só da nossa família, mas de todo um país. O Brasil foi construído através do café. E Minas hoje é o próprio café com leite”.

Com os pés fincados na tradição e os olhos voltados para o futuro, o Café Basílio Garcia representa mais do que uma bebida: é uma ponte entre passado, presente e uma paixão que não conhece fronteiras. Uma xícara de história torrada com afeto.

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